sábado, 8 de agosto de 2009

sexta-feira, 31 de julho de 2009

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Google Wave: Natural Language Processing

O que vos deixo aqui é o futuro. Esta ferramenta inteligente depressa estará em todos os computadores e fará parte do nosso dia-a-dia. Não acreditam? Falamos daqui a três anos...




As aplicações práticas:

segunda-feira, 25 de maio de 2009

William Shakespeare: "Soneto XVIII"

"Comparas-te a um dia de Verão?
Tu és mais formoso e mais ameno:
Ventoso o mês de Maio e não sereno
E o Estio é de curta duração.
Ora quente demais o sol fulgura,
Ora lhe escurece a tez dourada,
Quem é formosa perde a formosura,
Pelo destino ou natura despojada.
Mas teu eterno Verão não perde o brilho,
Nem perde a beleza que é só tua;
Da morte nunca seguirás o trilho -
Teu ser meu verso eterno perpétua:
Enquanto olhos houver que possam ler
Este soneto te fará viver."

William Shakespeare: "Soneto XVIII" (trad. António Simões)

terça-feira, 19 de maio de 2009

António Costa Santos: "Proibido!"

"PROIBIR, PROIBIR, PROIBIR!!!
E se a gigantesca onda de proibições do passado fosse um bom aviso para o presente?Já imaginou viver num país onde tem de possuir uma licença do Estado para usar um isqueiro? Como será a vida num país onde uma mulher, para viajar, precisa de autorização escrita do marido e as enfermeiras estão proibidas de casar? Haverá um país onde meçam o comprimento das saias das raparigas à entrada da escola, para que os joelhos não apareçam?
Imagina-se a viver numa terra onde não pode ler o que lhe apetece, ouvir a música que quer, ou até dormitar num banco de jardim? Como se faz praia, num país que não deixa ninguém mostrar o umbigo? Já nos esquecemos, mas ainda há poucos anos tudo isto era proibido em Portugal. Tudo isto e muito mais, como dar um beijo em público."(...)

"O beijo na boca era qualificado de acto exibicionista atentatório da moral. Levado para a esquadra, ou para o posto da GNR, o delinquente beijoqueiro era identificado, autuado em pelo menos 57 escudos (um valor variável, em função de critérios que hoje nos escapam), e passava invariavelmente pela cadeira do agente-barbeiro, de onde saía de cabeça rapada, máquina zero.

Tratava-se, afinal, de defender a moral castradora da ditadura e as leis e regulamentos multiplicavam-se, tentando enquadrar o que não tinha enquadramento.
Ficou célebre a portaria n.º 69035 da Câmara Municipal de Lisboa, datada de 1953, que, dado verificar-se "o aumento de actos atentatórios à moral e aos bons costumes, que dia a dia se têm vindo a verificar nos logradouros públicos e jardins e, em especial, nas zonas florestais de Montes Claros, Parque Silva Porto, Mata da Trafaria, Jardim Botânico, Tapada da Ajuda e outros", determinava à polícia e aos guardas florestais "uma permanente vigilância sobre as pessoas que procurem frondosas vegetações para a prática de actos que atentem contra a moral e os bons costumes".
E estabelecia que o artigo 48.º fosse desta forma cumprido:

" 1.º - Mã­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­o na mão 2$50
2.º - Mão naquilo 15$00
3.º - Aquilo na mão 30$00
4.º - Aquilo naquilo 50$00
5.º - Aquilo atrás daquilo 100$00
6.º - Parágrafo único - Com a língua naquilo 150$00 de multa, preso e fotografado." In. Guerra e Paz

quarta-feira, 1 de abril de 2009

terça-feira, 10 de março de 2009

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

sábado, 15 de novembro de 2008

"Perguntas à Língua Portuguesa" de Mia Couto


"Venho brincar aqui no Português, a língua. Não aquela que outros embandeiram. Mas a língua nossa, essa que dá gosto a gente namorar e que nos faz a nós, moçambicanos, ficarmos mais Moçambique. Que outros pretendam cavalgar o assunto para fins de cadeira e poleiro pouco me acarreta.

A língua que eu quero é essa que perde função e se torna carícia. O que me apronta é o simples gosto da palavra, o mesmo que a asa sente aquando o voo. Meu desejo é desalisar a linguagem, colocando nela as quantas dimensões da Vida. E quantas são? Se a Vida tem é idimensões? Assim, embarco nesse gozo de ver como escrita e o mundo mutuamente se desobedecem. Meu anjo-da-guarda, felizmente, nunca me guardou.
Uns nos acalentam: que nós estamos a sustentar maiores territórios da lusofonia. Nós estamos simplesmente ocupados a sermos. Outros nos acusam: nós estamos a desgastar a língua. Nos falta domínio, carecemos de técnica. Ora qual é a nossa elegância? Nenhuma, excepto a de irmos ajeitando o pé a um novo chão. Ou estaremos convidando o chão ao molde do pé? Questões que dariam para muita conferência, papelosas comunicações. Mas nós, aqui na mais meridional esquina do Sul, estamos exercendo é a ciência de sobreviver. Nós estamos deitando molho sobre pouca farinha a ver se o milagre dos pães se repete na periferia do mundo, neste sulbúrbio.
No enquanto, defendemos o direito de não saber, o gosto de saborear ignorâncias. Entretanto, vamos criando uma língua apta para o futuro, veloz como a palmeira, que dança todas as brisas sem deslocar seu chão. Língua artesanal, plástica, fugidia a gramáticas.
Esta obra de reinvenção não é operação exclusiva dos escritores e linguistas. Recriamos a língua na medida em que somos capazes de produzir um pensamento novo, um pensamento nosso. O idioma, afinal, o que é senão o ovo das galinhas de ouro?
Estamos, sim, amando o indomesticável, aderindo ao invisível, procurando os outros tempos deste tempo. Precisamos, sim, de senso incomum. Pois, das leis da língua, alguém sabe as certezas delas? Ponho as minhas irreticências. Veja-se, num sumário exemplo, perguntas que se podem colocar à língua:
  • Se pode dizer de um careca que tenha couro cabeludo?
  • No caso de alguém dormir com homem de raça branca é então que se aplica a expressão: passar a noite em branco?
  • A diferença entre um ás no volante ou um asno volante é apenas de ordem fonética?
  • O mato desconhecido é que é o anonimato?
  • O pequeno viaduto é um abreviaduto?
  • Como é que o mecânico faz amor? Mecanicamente.
  • Quem vive numa encruzilhada é um encruzilhéu?
  • Se diz do brado de bicho que não dispõe de vértebras: o invertebrado?
  • Tristeza do boi vem de ele não se lembrar que bicho foi na última reencarnação. Pois se ele, em anterior vida, beneficiou de chifre o que está ocorrendo não é uma reencornação?
  • O elefante que nunca viu mar, sempre vivendo no rio: devia ter marfim ou riofim?
  • Onde se esgotou a água se deve dizer: "aquabou"?
  • Não tendo sucedido em Maio mas em Março o que ele teve foi um desmaio ou um desmarço?
  • Quando a paisagem é de admirar constrói-se um admiradouro?
  • Mulher desdentada pode usar fio dental?
  • A cascavel a quem saiu a casca fica só uma vel?
  • As reservas de dinheiro são sempre finas. Será daí que vem o nome: "finanças"?
  • Um tufão pequeno: um tufinho?
  • O cavalo duplamente linchado é aquele que relincha?
  • Em águas doces alguém se pode salpicar?
  • Adulto pratica adultério. E um menor: será que pratica minoritério?
  • Um viciado no jogo de bilhar pode contrair bilharziose?
  • Um gordo, tipo barril, é um barrilgudo?
  • Borboleta que insiste em ser ninfa: é ela a tal ninfomaníaca?

Brincadeiras, brincriações. E é coisa que não se termina. Lembro a camponesa da Zambézia. Eu falo português corta-mato, dizia. Sim, isso que ela fazia é, afinal, trabalho de todos nós. Colocámos essoutro português – o nosso português – na travessia dos matos, fizemos com que ele se descalçasse pelos atalhos da savana. Nesse caminho lhe fomos somando colorações. Devolvemos cores que dela haviam sido desbotadas – o racionalismo trabalha que nem lixívia. Urge ainda adicionar-lhe músicas e enfeites, somar-lhe o volume da superstição e a graça da dança. É urgente recuperar brilhos antigos. Devolver a estrela ao planeta dormente"

In. COUTO, Mia: "Perguntas à Língua Portuguesa"

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Tempo de mudança

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In God we trust...

terça-feira, 4 de novembro de 2008

domingo, 26 de outubro de 2008

domingo, 19 de outubro de 2008

A reunião do Leão Christian

Christian é um leão que foi criado por dois homens, aqui representados no vídeo, mas quando ele tornou-se demasiado grande foi colocados em liberdade. Passados um ano, leão e criadores voltaram a unir-se. O que se pode observar é a alegria imensa de Christian. Mas, é também com grande espanto que se pode observar outros membros do clã do Christian a se aproximarem e a reconhecerem os criadores do seu companheiro como amigos dele.



Versão comentada:



Podemos não falar a mesma língua, mas sentimos o mesmo amor.

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

"Pobre daquele que está cansado de tudo, porque tudo e todos estarão, certamente, cansados dele." G.R. Chesterton

domingo, 28 de setembro de 2008

quarta-feira, 3 de setembro de 2008